Parado no tempo...


Quando olho para trás tudo é diferente,
Nem o caminho que percorro é o mesmo.
O mundo ao meu redor é outro,
Quando fecho os olhos já nada é igual.

Tinha tudo na palma da minha mão
E do dia para a noite tudo se foi.
Num breve piscar de olhos
Tudo se esfumou sem deixar rasto.

Mas no meio de tanta mudança
Existem sempre certezas.
Por mais que o tempo passe
As memórias tenho-as sempre na lembrança.

Há um coração que brilha
No escuro silêncio do meu quarto.
Há uma foto amarrotada
Perdida por entre papéis espalhados pelo chão.
.
Há um coração partido (o meu)
Sem jeito de voltar a ser inteiro.
Há uma esperança perdida
Na ânsia de te encontrar.

Estou parado.
Olho para trás e para a frente,
Consigo ter noção das lembranças no tempo
Mas o tempo corre sem parar e eu parado…

À espera não sei bem do quê ou de quem.
Vou fazer-me ao caminho, a um caminho.
Porque para quem está perdido

Qualquer trilho acabará por servir.

Foto: Parado no tempo... de Pedro
Voltar a sonhar debaixo das estrelas


Sempre pensei que era capaz de tudo e mais alguma coisa…
Nem de longe, nem de perto!
Já sonhei com amores impossíveis,
Mas hoje por eles não atravessaria o deserto.

Já não sonho como antigamente,
Já nem sonho sequer…
É triste perder todo este alento que nos guia,
Perder a vontade de continuar a lutar.

As vezes já nem sei pelo que luto,
Já nem sei qual a motivação que me move.
Sinto que ando pelo simples andar,
Respiro para me manter vivo e pouco mais…

Não vivo, existo!
Tenho plena consciência disso,
E mesmo sabendo que assim é
Sinto-me impotente, não consigo mudar!

Quero voltar a sentar-me debaixo das estrelas,
Voltar a sonhar com os olhos bem abertos,
Voltar a dar um motivo à minha existência
Quero viver, viver como antes vivia!

Preciso de amar novamente…
Amar daquela maneira louca e infantil,
Perder-me completamente no amor
Porque perdido no amor é o caminho certo!

Imagem: Caminho para as estrelas de Aliperti
Sozinho contra o mundo...


Nada resta daquilo que fui,
Porque desperdicei demasiado tempo
Na busca do impossível…
Porque me perdi por caminhos de ilusão.

Não há um dia em que não me sinta mal,
Não há um segundo de sossego para a minha alma,
Mas tudo tem de parecer bem,
Nada pode evidenciar as minhas fraquezas…

Já não pertenço a este mundo…
Estou desligado de tudo,
Já nada importa,
Nada me motiva para a vida.

Se soubessem a dor que vai cá dentro,
A angústia, o sofrimento, a fraqueza…
Não há mais lágrimas para chorar
Nem mais desabafos que me salvem.

Sozinho no mundo, sozinho contra o mundo…
Uma batalha épica, dolorosa,
Difícil, muito difícil, de vencer sozinho,
Sem armas mais difícil ainda é.

Já não consigo ter discernimento para tomar decisões,
Sou guiado por alguma força externa que me vai empurrando,
Não sei para onde vou nem como vou ficar,
Só sei que isto era o que não queria…



Foto: "Perdido" de Márcio Klein Rocha
Sem vontade para continuar


Olho para o céu quase em desespero,
Estou fraco e já não consigo continuar mais,
Baixo a cabeça quase como quem vai desistir,
Não há forças, não há vontade…

O meu fim está próximo, sinto-o…
Por mais motivos que eu tente encontrar
Para dar alento a esta triste e inútil vida,
Nada me transmite vontade para continuar.

Infelizmente a minha viagem acaba aqui,
Acaba porque já não há razões para continuar
É impossível arranjar alento que me continue a guiar,
“Tudo o que tem um princípio tem um fim!”

Olho-me constantemente ao espelho e penso para mim:
Mas afinal quem sou eu?
Qual é o meu verdadeiro propósito?
As respostas não surgem, apenas existe a dúvida.


E não há nada nem ninguém a quem me agarrar,
Nada nem ninguém que me ajudem a ficar.
Já ninguém me ouve neste vazio enorme,
Já não resta ninguém que me faça amar…


Foto: "Desistir" de Catarina Costa
Memórias do que não consegui



Hoje olho para trás e sei que tudo valeu a pena,
Cada instante, cada memória…
Não sinto arrependimento em nada que tenha feito
E sei que voltaria a fazer tudo do mesmo jeito.

Voltaria a sentar-me debaixo das estrelas,
Voltaria a correr por entre as gotas de chuva,
Voltaria a pisar as folhas caídas no jardim,
Voltaria a sonhar o impossível…

Se tudo foi do meu agrado?
Nem tudo…
Se tudo poderia ter sido diferente?
Poderia…
Seria hoje a mesma pessoa?
Sem dúvida que não.
Valeu a pena?
Claro, todos os segundos!

Mas não devo ficar muito tempo neste estado,
Olhar o passado deve ser um momento breve
Porque o futuro chama por nós constantemente
E o presente passa a correr sem pedir autorização.

Amanha algo de extraordinário acontecerá,
Eu sei que assim vai ser
Porque quem se esforça terá a sua recompensa
Algo que me alimente ainda mais a vontade de viver!

Luto por coisas grandes, muito maiores que eu…
Se vou conseguir lá chegar? Não sei.
Mas não quero que tudo seja uma memória
De algo que não atingi porque me limitei a esperar. 


Foto: Dá-me a tua mão de Ana Rita Vaz Cruz
Um sonho que não se realizou

Chegou o Inverno.
Está tanto frio que o sinto até ao osso,
Estou sozinho a caminhar na neve
E nem sentir o teu calor posso…

Mesmo que eu volte para casa
Sei que apenas vazio vou encontrar
E lembro-me de tudo o que queres que eu esqueça…

Estou em total queda livre,
Como uma rocha que acabará no fundo do oceano
E lembro-me da vida que eu ainda não vivi.

Tu e eu,
Verdade e mentira,
Fui-me enganando durante muito tempo.
Como poderíamos dar tão certo e tão errado?

Sempre ouvi as palavras que tu disseste…
Os teus lábios bem junto do meu ouvido
Onde o meu mundo deixava de existir
E iluminado por ti nascia um mundo comum.

E mesmo que eu te volte a encontrar
Para esvaziar da alma toda esta dor,
Já não posso esquecer o tempo que passou.

Tu e eu,
Verdade e mentira,
Uma dolorosa realidade
Ou então um sonho que não se realizou.

Foto: "Inverno" de jorge filipe pires
Ainda trago comigo o teu coração



Continuo a inspirar a tua essência na brisa que passa
Quando já não quero em mim qualquer memória de ti.
Continuo também a encontrar ainda alguma verdade
Na réstia de dúvida que ainda persiste.

Ainda trago ao pescoço (preso por um fio) o teu coração.
Uso-o como um sonho que me fora roubado…
Coração que ainda abre as portas do céu,
Por onde procuro acalmar as dores do passado.

Mas são as lembranças que me atraiçoam.
Os tempos em que corríamos por debaixo da luz do luar,
Em que nos abrigávamos da chuva e fugíamos do sol ardente…
Tudo para depois te deixar partir.

Não consigo perdoar a mim mesmo
Os erros cometidos tal como as palavras não ditas
Ou até mesmo as acções que ficaram bloqueadas.
Perdi a noção do tempo certo de agir!

Deixei escapar uma oportunidade
E sei que não me será concedida mais nenhuma.
Tudo terminou tal como havia começado
Mas recuso a ideia de poder vir a ficar preso no passado.

Tal como o tempo a vida também não pára,
O coração levá-lo-ei preso ao pescoço,
Não como uma corrente que me prende ao passado
Mas como uma corda que me puxa para o futuro.



Foto: "I carry your heart with me" de Franjinhas
O que era já não sou


Ultimamente os dias têm sido bastante chuvosos,
É raro ver o brilho do sol espreitar por entre as nuvens,
Tao raro como na minha face se esboçar um sorriso.
Chove copiosamente na minha alma.

As densas e escuras nuvens
Não deixam o mais tímido raio de luz escapar
Tudo o que faço já não tem um motivo, uma razão,
Faço por que assim tem de ser, não há outra maneira.

As palavras faltam-me
Não distingo as cores
Os sons são todos iguais
O perfume já não é o de antigamente.

Isolo-me de tudo e todos
Pois já não me reconheço perante os outros.
Vivo comigo, sozinho
Porque preciso de me encontrar.

Tenho saudades minhas,
Saudades de outros tempos
Onde o sol brilhou como nunca havia brilhado
Onde conhecia a essência do meu ser.

Tenho ainda a esperança de voltar a viver
De aproveitar os dias que me restam de vida
E, decentemente, mostrar o que ainda não sou
Na ânsia de viver o Amor que ainda não vivi.

Foto: "Rain over my soul" de ®gonçalves