Enquanto aqui estiver




Vou contar-te um segredo: gosto da tua companhia!
Estar ao teu lado completa essa parte vazia de mim,
Preenche uma parte de mim que desconheço,
Que tu fazes questão de mostrar.

E não sou mais que um homem qualquer,
Com defeitos, bastantes.
Mas adoro a forma como tu os apontas
Sem medir a brutalidade das tuas palavras.

E assim me vais mostrando quem sou,
O meu entendimento é lento por vezes
Pois o pensamento está perdido por aí...
Não sou perfeito, já o percebi há muito.

Sou assim...
Imperfeito e muitas das vezes sem sentido,
Mas eu sinto tudo cá dentro
Sinto e faço sentir.

Não sofri o que já sofreste nessa tua vida,
Nem chorei o que já choraste…
Não perdi o que já perdeste,
Nem desisti do que já desististe.

Não pisei esses caminhos sinuosos,
Não lutei as lutas que já lutaste,
Nem venci o que já venceste,
Nem vi o meu estômago privado de comida...

Mas estou aqui.
E sou aquilo que sou, sem mentiras...
E tenho por ti o maior respeito acredita,
Não é pena, é valor!

Mereces tanto!
Mereces o carinho e respeito de quem te rodeia,
Mereces a sorte que premeia os lutadores,
Mereces que a felicidade te encha a alma...

Acredita!
Acredita sempre num futuro melhor,
Acredita nos teus sonhos
Acredita em ti e no que vales...

Nunca pares, vai sempre!
Nunca estarás sozinha se te acompanhares de ti mesma,
Nunca te percas em palavras sem sentimento,
Não te deixes levar por meras mentiras.

Eu não sei se vou estar aqui "para sempre"
Porque nada é eterno.
Mas enquanto estiver, serei o melhor que posso...
Até que as minhas forças se esgotem.

Não era amor...
Foto de : @andersonnancy




Não era amor...
Nunca foi amor.
Não chegou sequer a ser eterno
E, portanto, não era amor...

Não era amor...
Quando passeávamos na praia,
Quando nos sentávamos sob o pôr-do-sol,
Quando te abraçava junto a mim, noite dentro.

Não era amor...
Todas a vezes que sorrimos juntos,
Todas as vezes que choramos juntos,
Todas as vezes que dormimos juntos.

Não era amor...
Todos os olhares que trocamos,
Todas as palavras trocadas,
Todos os beijos dados.

Não era amor...
Era estar sempre disponível,
Era pensar em ti constantemente,
Era querer-te a todo o tempo.

Não era amor...
Eram noites com os telemóveis desligados,
Eram dois corpos juntos,
Eram duas almas que se tocavam.

Não era amor...
Éramos nós, tu e eu...
A mais bela das simplicidades,
Não era amor, era bem mais que isso!

O que será de ti?
Foto: ANDERS ERIKSSON


Será que alguma vez pensaste
No que será de ti
Quando eu não estiver mais aqui?

Quando acordares e não vires a minha mensagem,
Será que vais entender que sempre foste tu
O meu primeiro pensamento do dia...
Sempre foste tu!

Não saberás mais como é me olhar nos olhos,
E aquele sentimento de te encontrares nos meus (a)braços,
Não sentirás os meus lábios na tua testa
Nem ouvirás o meu coração no meu peito...

Irás conseguir caminhar sozinha pelo parque?
E o pôr do sol terá a mesma magia sem mim?
Tu a tremer de frio e eu a cobrir-te com o meu casaco,
Tudo isso serão apenas memórias...

Vais querer ligar e o meu telemóvel não vai tocar
Vais querer ir ao cinema mas o filme já acabou...
Vais ler o meu nome em todas as mensagens que te enviei,
Escritas nesses papéis perfumados.

Vais querer tirar-me do pensamento
Mas de tanto o quereres não o vais conseguir.
E quando chorares quem vai lá estar?
Quem, mais uma vez, vai segurar o teu mundo?

E quando tudo for nada?
Quando a minha imagem apenas é uma recordação,
E com um sorriso no rosto me recordarás com saudade...
Quando já não puderes sentir o meu perfume no ar...

Vais conseguir lidar?
Sem o toque dos meus lábios nos teus, com sorrisos pelo meio...
Não vais sentir falta de todo o carinho que te dou?
A minha presença constante será ausência angustiante...

Será que alguma vez pensaste
No que será de ti
Quando eu não estiver mais aqui?

E o que será de mim?
Sentado no chão da minha varanda
Foto de Gustavo Bettini e Lia Lubambo


Cá estou eu,
Mais uma vez sentado no chão da minha varanda,
Debaixo de um céu repleto de estrelas...
É verão, as noites são quentes
E o sono tarda em chegar.

É apenas mais uma de muitas noites
Que fico acordado até o sol nascer.
O silêncio da noite tem tanto de belo como de assustador
E, na minha cabeça, tudo parece mais confuso.
E nada fica mais claro, nem com o amanhecer.

Vejo no horizonte uma estrela que cai,
Um momento tão rápido
Que quando volto a abrir os olhos, já se foi.
Peço mais uma vez, uma vez mais...
Que aquele meu desejo se torne realidade.

É na solidão da noite
Que os meus medos desaparecem (ou não),
Porque aquilo que não vemos não nos assusta
E eu fecho os olhos para não ver.
Mas eu sinto, e eu não consigo deixar de sentir...

Não há forma de não sentir a tua ausência...
Olho para o lado e tu não estás.
E então baixo a cabeça
Porque já nem no brilho da lua te reconheço,
A tua fragrância perdeu-se na brisa que passa
E a minha pele desconhece já o teu toque.

Prometi a mim mesmo que não mais choraria por amor,
Promessa que vai escorrendo pela minha face ,
Porque depois de ti nunca mais fui o mesmo,
Porque me entreguei demasiado e pouco restou,
Porque me perdi de mim e não mais me encontrei...

E a cada vez que me tento levantar
Há uma força que me puxa para baixo.
Estas amarras que prendem e me puxam,
Estes sentimentos que impedem de continuar...
Estou esgotado de lutar contra estas forças invisíveis.

E é mais fácil estar aqui,
Sentado no chão da minha varanda.
Onde restam apenas os meus pensamentos,
Onde resta aquilo que sobrou de mim,
Onde nada resta.
À beira da estrada




E não é que até me consigo acostumar,
Sentado aqui à beira da estrada.
Onde posso descansar da minha longa caminhada,
Olhando para trás,
E observando cada trilho que tomei.

E não é que até me sinto bem,
Mesmo debaixo deste sol abrasador.
Baixo a cabeça em direcção ao solo
E nele vejo desenhada a minha sombra,
A única e fiel representação de mim mesmo.

Às vezes é preciso uma pausa,
Um breve descanso,
Uma inspiração profunda e uma expiração aliviante.
Às vezes é preciso recarregar baterias,
Motivar a vontade que nos guia.

E é aqui que me encontro,
Sentado na berma da estrada.
Sozinho comigo mesmo, entre pensamentos,
Recordações de um passado longínquo,
Que me visita de tempos a tempos.

A hora de arrancar está próxima,
Levanto-me, já com o fôlego reposto,
Olho para o horizonte,
Onde o sol está prestes a desaparecer,
E dou um passo em direcção ao desconhecido.

Não interessa a distância que terei de percorrer,
Nem quantos dos meus passos se perderão no tempo.
Sei que te vou (re) encontrar.
E meus olhos azuis olharão teus olhos verdes,
Um olhar que me trará a paz e a calma que eu persigo.

No fim de tudo, eu.


O relógio marca seis e trinta
E pela janela já se vê o dia lá fora,
Ainda não fechei os olhos
Mas sobre este papel já correu tanta tinta.

É nestes momentos a sós
Que consigo tirar de mim o que me atormenta.
A alma senta, chora, lamenta…
Mas não ficam por desatar quaisquer nós.

É estar sentado, agitadamente quieto.
É aliviar um peso que carrego há tanto tempo,
Um fardo em forma de sentimentos
Que a cada toque da caneta no papel
Se vai desvanecendo nos rabiscos que faço.

Escrever é acalmar e aliviar a alma,
Colocar num papel tudo aquilo que vive cá dentro,
Pintar um quadro com palavras…
É voar mesmo não tendo asas,
Montado nas asas dos sonhos.

Sonhos são cada vez mais escassos
São como gotas de água num deserto árido.
Admito que sonho contigo ainda
Felizmente não com a frequência de outrora
Pois não é bom relembrar os fracassos.

Agora sou eu, um pedaço de papel e uma caneta,
Eu e todo este conjunto de palavras e sentimentos
Cuja soma representa um todo e um nada.
No fim de tudo só resta o que importa,
Eu.