Valeu a pena atravessar o deserto



Queres ouvir-me falar sobre uma mulher incrível?

Vem, senta bem pertinho de mim,

Vamos então falar sobre essa mulher

Que tem tornado os meus dias bem melhores. 


No dia em que te voltei a conhecer,

No dia em que comecei a conhecer-te, de verdade...

Foi nesse dia que a minha vida mudou,

Foi nesse dia em que tudo virou verdade. 


Agora posso olhar para trás

E sentir que valeu a pena atravessar o deserto.

Agora posso olhar para a frente

E sentir que o melhor ainda está para vir. 


Vem deitar a tua cabeça no meu peito

Deixa-me acariciar os teus cabelos.

Vou dizer-te, pela noite dentro, o quão bela és, 

Vou namorar a tua alma, incessantemente.


Abraça-te a mim,

Abraça-me para não mais nos largar-mos.

Os teus olhos serão o espelho dos meus

E os nossos lábios cantaram em uníssono. 


Olharemos juntos na mesma direção

E voaremos para sítios encantadores,

O sol vai aquecer e dar cor à nossa pele

E as recordações serão mais que muitas. 


Um dia fizeste de mim o homem mais feliz do mundo

E esse dia tem-se repetido todos os dias.

E em quanto o coração bater

O meu amor por ti será infinito. 


Não há nem haverá tristeza no olhar,

Não haverá fadiga no abraço e secura no beijo,

Haverá brilho no olhar,

E um coração repleto de amor. 

Enquanto aqui estiver




Vou contar-te um segredo: gosto da tua companhia!
Estar ao teu lado completa essa parte vazia de mim,
Preenche uma parte de mim que desconheço,
Que tu fazes questão de mostrar.

E não sou mais que um homem qualquer,
Com defeitos, bastantes.
Mas adoro a forma como tu os apontas
Sem medir a brutalidade das tuas palavras.

E assim me vais mostrando quem sou,
O meu entendimento é lento por vezes
Pois o pensamento está perdido por aí...
Não sou perfeito, já o percebi há muito.

Sou assim...
Imperfeito e muitas das vezes sem sentido,
Mas eu sinto tudo cá dentro
Sinto e faço sentir.

Não sofri o que já sofreste nessa tua vida,
Nem chorei o que já choraste…
Não perdi o que já perdeste,
Nem desisti do que já desististe.

Não pisei esses caminhos sinuosos,
Não lutei as lutas que já lutaste,
Nem venci o que já venceste,
Nem vi o meu estômago privado de comida...

Mas estou aqui.
E sou aquilo que sou, sem mentiras...
E tenho por ti o maior respeito acredita,
Não é pena, é valor!

Mereces tanto!
Mereces o carinho e respeito de quem te rodeia,
Mereces a sorte que premeia os lutadores,
Mereces que a felicidade te encha a alma...

Acredita!
Acredita sempre num futuro melhor,
Acredita nos teus sonhos
Acredita em ti e no que vales...

Nunca pares, vai sempre!
Nunca estarás sozinha se te acompanhares de ti mesma,
Nunca te percas em palavras sem sentimento,
Não te deixes levar por meras mentiras.

Eu não sei se vou estar aqui "para sempre"
Porque nada é eterno.
Mas enquanto estiver, serei o melhor que posso...
Até que as minhas forças se esgotem.

Não era amor...
Foto de : @andersonnancy




Não era amor...
Nunca foi amor.
Não chegou sequer a ser eterno
E, portanto, não era amor...

Não era amor...
Quando passeávamos na praia,
Quando nos sentávamos sob o pôr-do-sol,
Quando te abraçava junto a mim, noite dentro.

Não era amor...
Todas a vezes que sorrimos juntos,
Todas as vezes que choramos juntos,
Todas as vezes que dormimos juntos.

Não era amor...
Todos os olhares que trocamos,
Todas as palavras trocadas,
Todos os beijos dados.

Não era amor...
Era estar sempre disponível,
Era pensar em ti constantemente,
Era querer-te a todo o tempo.

Não era amor...
Eram noites com os telemóveis desligados,
Eram dois corpos juntos,
Eram duas almas que se tocavam.

Não era amor...
Éramos nós, tu e eu...
A mais bela das simplicidades,
Não era amor, era bem mais que isso!

O que será de ti?
Foto: ANDERS ERIKSSON


Será que alguma vez pensaste
No que será de ti
Quando eu não estiver mais aqui?

Quando acordares e não vires a minha mensagem,
Será que vais entender que sempre foste tu
O meu primeiro pensamento do dia...
Sempre foste tu!

Não saberás mais como é me olhar nos olhos,
E aquele sentimento de te encontrares nos meus (a)braços,
Não sentirás os meus lábios na tua testa
Nem ouvirás o meu coração no meu peito...

Irás conseguir caminhar sozinha pelo parque?
E o pôr do sol terá a mesma magia sem mim?
Tu a tremer de frio e eu a cobrir-te com o meu casaco,
Tudo isso serão apenas memórias...

Vais querer ligar e o meu telemóvel não vai tocar
Vais querer ir ao cinema mas o filme já acabou...
Vais ler o meu nome em todas as mensagens que te enviei,
Escritas nesses papéis perfumados.

Vais querer tirar-me do pensamento
Mas de tanto o quereres não o vais conseguir.
E quando chorares quem vai lá estar?
Quem, mais uma vez, vai segurar o teu mundo?

E quando tudo for nada?
Quando a minha imagem apenas é uma recordação,
E com um sorriso no rosto me recordarás com saudade...
Quando já não puderes sentir o meu perfume no ar...

Vais conseguir lidar?
Sem o toque dos meus lábios nos teus, com sorrisos pelo meio...
Não vais sentir falta de todo o carinho que te dou?
A minha presença constante será ausência angustiante...

Será que alguma vez pensaste
No que será de ti
Quando eu não estiver mais aqui?

E o que será de mim?
Sentado no chão da minha varanda
Foto de Gustavo Bettini e Lia Lubambo


Cá estou eu,
Mais uma vez sentado no chão da minha varanda,
Debaixo de um céu repleto de estrelas...
É verão, as noites são quentes
E o sono tarda em chegar.

É apenas mais uma de muitas noites
Que fico acordado até o sol nascer.
O silêncio da noite tem tanto de belo como de assustador
E, na minha cabeça, tudo parece mais confuso.
E nada fica mais claro, nem com o amanhecer.

Vejo no horizonte uma estrela que cai,
Um momento tão rápido
Que quando volto a abrir os olhos, já se foi.
Peço mais uma vez, uma vez mais...
Que aquele meu desejo se torne realidade.

É na solidão da noite
Que os meus medos desaparecem (ou não),
Porque aquilo que não vemos não nos assusta
E eu fecho os olhos para não ver.
Mas eu sinto, e eu não consigo deixar de sentir...

Não há forma de não sentir a tua ausência...
Olho para o lado e tu não estás.
E então baixo a cabeça
Porque já nem no brilho da lua te reconheço,
A tua fragrância perdeu-se na brisa que passa
E a minha pele desconhece já o teu toque.

Prometi a mim mesmo que não mais choraria por amor,
Promessa que vai escorrendo pela minha face ,
Porque depois de ti nunca mais fui o mesmo,
Porque me entreguei demasiado e pouco restou,
Porque me perdi de mim e não mais me encontrei...

E a cada vez que me tento levantar
Há uma força que me puxa para baixo.
Estas amarras que prendem e me puxam,
Estes sentimentos que impedem de continuar...
Estou esgotado de lutar contra estas forças invisíveis.

E é mais fácil estar aqui,
Sentado no chão da minha varanda.
Onde restam apenas os meus pensamentos,
Onde resta aquilo que sobrou de mim,
Onde nada resta.
À beira da estrada




E não é que até me consigo acostumar,
Sentado aqui à beira da estrada.
Onde posso descansar da minha longa caminhada,
Olhando para trás,
E observando cada trilho que tomei.

E não é que até me sinto bem,
Mesmo debaixo deste sol abrasador.
Baixo a cabeça em direcção ao solo
E nele vejo desenhada a minha sombra,
A única e fiel representação de mim mesmo.

Às vezes é preciso uma pausa,
Um breve descanso,
Uma inspiração profunda e uma expiração aliviante.
Às vezes é preciso recarregar baterias,
Motivar a vontade que nos guia.

E é aqui que me encontro,
Sentado na berma da estrada.
Sozinho comigo mesmo, entre pensamentos,
Recordações de um passado longínquo,
Que me visita de tempos a tempos.

A hora de arrancar está próxima,
Levanto-me, já com o fôlego reposto,
Olho para o horizonte,
Onde o sol está prestes a desaparecer,
E dou um passo em direcção ao desconhecido.

Não interessa a distância que terei de percorrer,
Nem quantos dos meus passos se perderão no tempo.
Sei que te vou (re) encontrar.
E meus olhos azuis olharão teus olhos verdes,
Um olhar que me trará a paz e a calma que eu persigo.

No fim de tudo, eu.


O relógio marca seis e trinta
E pela janela já se vê o dia lá fora,
Ainda não fechei os olhos
Mas sobre este papel já correu tanta tinta.

É nestes momentos a sós
Que consigo tirar de mim o que me atormenta.
A alma senta, chora, lamenta…
Mas não ficam por desatar quaisquer nós.

É estar sentado, agitadamente quieto.
É aliviar um peso que carrego há tanto tempo,
Um fardo em forma de sentimentos
Que a cada toque da caneta no papel
Se vai desvanecendo nos rabiscos que faço.

Escrever é acalmar e aliviar a alma,
Colocar num papel tudo aquilo que vive cá dentro,
Pintar um quadro com palavras…
É voar mesmo não tendo asas,
Montado nas asas dos sonhos.

Sonhos são cada vez mais escassos
São como gotas de água num deserto árido.
Admito que sonho contigo ainda
Felizmente não com a frequência de outrora
Pois não é bom relembrar os fracassos.

Agora sou eu, um pedaço de papel e uma caneta,
Eu e todo este conjunto de palavras e sentimentos
Cuja soma representa um todo e um nada.
No fim de tudo só resta o que importa,
Eu.
O Inverno está a chegar


Já pouco falta para chegar, o Inverno,
E o tempo foge-me por entre os dedos.
E o que mais anseio é sentir aquele frio
Que tem a capacidade de acalmar os meus medos.

Adoro respirar o ar gélido,
A cada inspiração são muitas as memórias,
As nossas mãos desenharam tantas histórias,
As mesmas mãos que não mais se tocaram.

Hoje estou só,
E não é mais fácil esta forma de caminhar,
E mesmo que a esperança se vá perdendo
Existe sempre um sol de Inverno que me ajuda a acreditar.

Já me perdi por caminhos incertos
Mas hoje sigo o rumo que eu quero, sozinho.
E já não há medo algum de olhar para trás,
Só me entristece ter perdido algumas coisas pelo caminho.

Perdi o meu sorriso num qualquer banco de jardim,
Naquele fim de tarde perdi o meu olhar no horizonte,
Já não sinto que tenha em mim amor
Porque assim me deixaste, perdido de mim.

Caminhos passados não voltarão a ser pisados,
Guio-me por caminhos de certeza...
Aprendi, com o tempo, a ter calma
Porque já tive pressa e acabei por me perder.
Parado no tempo...


Quando olho para trás tudo é diferente,
Nem o caminho que percorro é o mesmo.
O mundo ao meu redor é outro,
Quando fecho os olhos já nada é igual.

Tinha tudo na palma da minha mão
E do dia para a noite tudo se foi.
Num breve piscar de olhos
Tudo se esfumou sem deixar rasto.

Mas no meio de tanta mudança
Existem sempre certezas.
Por mais que o tempo passe
As memórias tenho-as sempre na lembrança.

Há um coração que brilha
No escuro silêncio do meu quarto.
Há uma foto amarrotada
Perdida por entre papéis espalhados pelo chão.
.
Há um coração partido (o meu)
Sem jeito de voltar a ser inteiro.
Há uma esperança perdida
Na ânsia de te encontrar.

Estou parado.
Olho para trás e para a frente,
Consigo ter noção das lembranças no tempo
Mas o tempo corre sem parar e eu parado…

À espera não sei bem do quê ou de quem.
Vou fazer-me ao caminho, a um caminho.
Porque para quem está perdido

Qualquer trilho acabará por servir.

Foto: Parado no tempo... de Pedro
Voltar a sonhar debaixo das estrelas


Sempre pensei que era capaz de tudo e mais alguma coisa…
Nem de longe, nem de perto!
Já sonhei com amores impossíveis,
Mas hoje por eles não atravessaria o deserto.

Já não sonho como antigamente,
Já nem sonho sequer…
É triste perder todo este alento que nos guia,
Perder a vontade de continuar a lutar.

As vezes já nem sei pelo que luto,
Já nem sei qual a motivação que me move.
Sinto que ando pelo simples andar,
Respiro para me manter vivo e pouco mais…

Não vivo, existo!
Tenho plena consciência disso,
E mesmo sabendo que assim é
Sinto-me impotente, não consigo mudar!

Quero voltar a sentar-me debaixo das estrelas,
Voltar a sonhar com os olhos bem abertos,
Voltar a dar um motivo à minha existência
Quero viver, viver como antes vivia!

Preciso de amar novamente…
Amar daquela maneira louca e infantil,
Perder-me completamente no amor
Porque perdido no amor é o caminho certo!

Imagem: Caminho para as estrelas de Aliperti
Sozinho contra o mundo...


Nada resta daquilo que fui,
Porque desperdicei demasiado tempo
Na busca do impossível…
Porque me perdi por caminhos de ilusão.

Não há um dia em que não me sinta mal,
Não há um segundo de sossego para a minha alma,
Mas tudo tem de parecer bem,
Nada pode evidenciar as minhas fraquezas…

Já não pertenço a este mundo…
Estou desligado de tudo,
Já nada importa,
Nada me motiva para a vida.

Se soubessem a dor que vai cá dentro,
A angústia, o sofrimento, a fraqueza…
Não há mais lágrimas para chorar
Nem mais desabafos que me salvem.

Sozinho no mundo, sozinho contra o mundo…
Uma batalha épica, dolorosa,
Difícil, muito difícil, de vencer sozinho,
Sem armas mais difícil ainda é.

Já não consigo ter discernimento para tomar decisões,
Sou guiado por alguma força externa que me vai empurrando,
Não sei para onde vou nem como vou ficar,
Só sei que isto era o que não queria…



Foto: "Perdido" de Márcio Klein Rocha
Sem vontade para continuar


Olho para o céu quase em desespero,
Estou fraco e já não consigo continuar mais,
Baixo a cabeça quase como quem vai desistir,
Não há forças, não há vontade…

O meu fim está próximo, sinto-o…
Por mais motivos que eu tente encontrar
Para dar alento a esta triste e inútil vida,
Nada me transmite vontade para continuar.

Infelizmente a minha viagem acaba aqui,
Acaba porque já não há razões para continuar
É impossível arranjar alento que me continue a guiar,
“Tudo o que tem um princípio tem um fim!”

Olho-me constantemente ao espelho e penso para mim:
Mas afinal quem sou eu?
Qual é o meu verdadeiro propósito?
As respostas não surgem, apenas existe a dúvida.


E não há nada nem ninguém a quem me agarrar,
Nada nem ninguém que me ajudem a ficar.
Já ninguém me ouve neste vazio enorme,
Já não resta ninguém que me faça amar…


Foto: "Desistir" de Catarina Costa
Memórias do que não consegui



Hoje olho para trás e sei que tudo valeu a pena,
Cada instante, cada memória…
Não sinto arrependimento em nada que tenha feito
E sei que voltaria a fazer tudo do mesmo jeito.

Voltaria a sentar-me debaixo das estrelas,
Voltaria a correr por entre as gotas de chuva,
Voltaria a pisar as folhas caídas no jardim,
Voltaria a sonhar o impossível…

Se tudo foi do meu agrado?
Nem tudo…
Se tudo poderia ter sido diferente?
Poderia…
Seria hoje a mesma pessoa?
Sem dúvida que não.
Valeu a pena?
Claro, todos os segundos!

Mas não devo ficar muito tempo neste estado,
Olhar o passado deve ser um momento breve
Porque o futuro chama por nós constantemente
E o presente passa a correr sem pedir autorização.

Amanha algo de extraordinário acontecerá,
Eu sei que assim vai ser
Porque quem se esforça terá a sua recompensa
Algo que me alimente ainda mais a vontade de viver!

Luto por coisas grandes, muito maiores que eu…
Se vou conseguir lá chegar? Não sei.
Mas não quero que tudo seja uma memória
De algo que não atingi porque me limitei a esperar. 


Foto: Dá-me a tua mão de Ana Rita Vaz Cruz
Um sonho que não se realizou

Chegou o Inverno.
Está tanto frio que o sinto até ao osso,
Estou sozinho a caminhar na neve
E nem sentir o teu calor posso…

Mesmo que eu volte para casa
Sei que apenas vazio vou encontrar
E lembro-me de tudo o que queres que eu esqueça…

Estou em total queda livre,
Como uma rocha que acabará no fundo do oceano
E lembro-me da vida que eu ainda não vivi.

Tu e eu,
Verdade e mentira,
Fui-me enganando durante muito tempo.
Como poderíamos dar tão certo e tão errado?

Sempre ouvi as palavras que tu disseste…
Os teus lábios bem junto do meu ouvido
Onde o meu mundo deixava de existir
E iluminado por ti nascia um mundo comum.

E mesmo que eu te volte a encontrar
Para esvaziar da alma toda esta dor,
Já não posso esquecer o tempo que passou.

Tu e eu,
Verdade e mentira,
Uma dolorosa realidade
Ou então um sonho que não se realizou.

Foto: "Inverno" de jorge filipe pires
Ainda trago comigo o teu coração



Continuo a inspirar a tua essência na brisa que passa
Quando já não quero em mim qualquer memória de ti.
Continuo também a encontrar ainda alguma verdade
Na réstia de dúvida que ainda persiste.

Ainda trago ao pescoço (preso por um fio) o teu coração.
Uso-o como um sonho que me fora roubado…
Coração que ainda abre as portas do céu,
Por onde procuro acalmar as dores do passado.

Mas são as lembranças que me atraiçoam.
Os tempos em que corríamos por debaixo da luz do luar,
Em que nos abrigávamos da chuva e fugíamos do sol ardente…
Tudo para depois te deixar partir.

Não consigo perdoar a mim mesmo
Os erros cometidos tal como as palavras não ditas
Ou até mesmo as acções que ficaram bloqueadas.
Perdi a noção do tempo certo de agir!

Deixei escapar uma oportunidade
E sei que não me será concedida mais nenhuma.
Tudo terminou tal como havia começado
Mas recuso a ideia de poder vir a ficar preso no passado.

Tal como o tempo a vida também não pára,
O coração levá-lo-ei preso ao pescoço,
Não como uma corrente que me prende ao passado
Mas como uma corda que me puxa para o futuro.



Foto: "I carry your heart with me" de Franjinhas
O que era já não sou


Ultimamente os dias têm sido bastante chuvosos,
É raro ver o brilho do sol espreitar por entre as nuvens,
Tao raro como na minha face se esboçar um sorriso.
Chove copiosamente na minha alma.

As densas e escuras nuvens
Não deixam o mais tímido raio de luz escapar
Tudo o que faço já não tem um motivo, uma razão,
Faço por que assim tem de ser, não há outra maneira.

As palavras faltam-me
Não distingo as cores
Os sons são todos iguais
O perfume já não é o de antigamente.

Isolo-me de tudo e todos
Pois já não me reconheço perante os outros.
Vivo comigo, sozinho
Porque preciso de me encontrar.

Tenho saudades minhas,
Saudades de outros tempos
Onde o sol brilhou como nunca havia brilhado
Onde conhecia a essência do meu ser.

Tenho ainda a esperança de voltar a viver
De aproveitar os dias que me restam de vida
E, decentemente, mostrar o que ainda não sou
Na ânsia de viver o Amor que ainda não vivi.

Foto: "Rain over my soul" de ®gonçalves
Tinta da solidão



‎Sozinho, numa praia distante...
Aprisiono o som das ondas do mar numa tela
Que pinto com a tinta da solidão.

Os dias de alegria já se esvaíram,
Resta-me o azul do mar como companhia
E o som das ondas que tento aprisionar.

Perdi a minha identidade com o tempo
Porque quis ser aquilo que não sou nem vou ser…
Não me reconheço mais,
Já não me revejo no brilho das estrelas.

Estou só nesta ilha perdida,
À procura de mim em mim
Na ânsia de voltar a ser o que outrora fui.

E quando esse tempo chegar,
Abrirei um portal que me levará desta ilha
E então o som das ondas ficará preso em mim, para sempre.

Foto: Arraial d'Ajuda 2007 de Lívia

Não fomos nem seremos...



Vou ficar contigo esta noite
Proteger-te de todos os teus medos…

Mas no fundo aquilo que eu fui para ti
Não passou nem passará de um sonho,
O nosso passado ficou para trás,
As peças do puzzle perderam-se…
E nunca mais seremos… nem estaremos….

Agora vou limitar-me a que o coração bata por bater
Quando não existem mais motivos que o motivem,
Quando já não existe nada onde tudo havia…
Porque já não consigo ver através do escuro.

Mesmo assim fico contigo mais esta noite
E continuarei a dar-te a segurança que sempre dei…

Tu e eu fomos um sonho que não foi sonhado,
Fomos uma fotografia que não foi tirada,
Um texto que não foi escrito…

Vou continuar na busca do meu trilho
E quando sentir que sou ninguém
Vou gritar para o ar o meu nome
Pode ser que alguém me ouça…

Foto: |De costas voltadas| de Bruno Queirós
A sós com a solidão


Deixem-me agora, por favor…
Tenho um encontro marcado com a solidão
E já há muito que não a vejo,
Existem saudades para matar.

Agora deixem-me aqui no meu canto
Onde esperarei pela solidão,
Neste canto que já fora, em outros tempos,
Um local de encontros mais regulares.

É verdade…
Já não via a solidão há uns tempos
Mas parece que a hora do reencontro chegou
E não a quero fazer esperar,
Deixem-me agora…

Deixem-me com as recordações dos bons tempos,
Com as lembranças grandiosas do passado,
Deixem-me com o resto de mim
Que se esforça para se manter vivo…

A solidão está a chegar,
Já ouço os seus passos silenciosos ao longe,
Agora é entre mim e ela,
Deixem-nos a sós, por favor!

Foto: Solidão de Fabiana Pazzini
Lembranças de um tempo que não passou...

Não há muito tempo éramos amigos,
Passaram anos mas o tempo quase não passou…
O que devia ter sido até ao fim
Acabou por ter um fim prematuro.

Tenho na alma guardados todos os sentimentos,
Como se tudo estivesse bem...
Mas não está,
Tudo desapareceu, tudo se apagou…

Engraçado como ouço o tique-taque do relógio...
Todos estes segundos que eu perdi a enganar a saudade,
Todo o tempo que desperdicei com o pensamento,
Quando pensar acabou por destruir parte de mim.

Tinha tudo na palma da minha mão,
Simplesmente vivia.
Hoje restam as lembranças que não quero apagar
E as feridas que custam a sarar…

Ouve a minha alma,
É o meu último pedido.
Escuta a solidão, o sofrimento e a saudade,
Nada disso importa agora...
Pois estive demasiado ocupado a desperdiçar tempo,
Enquanto tu estavas sozinha e também a sofrer,
Mesmo assim imploro-te,
É o meu último pedido.

Atende às minhas preces,
É o meu último pedido…
Sê feliz.

Foto: O tempo parou de Márcia Brandão